Começa com H e termina com V
Informações sobre vírus e retrovírus que começam com H e terminam com V, incluindo hepatites virais, HIV, HPV e HTLV.
Vírus, retrovírus e o impacto das hepatites virais
Existe uma gama enorme de vírus ou retrovírus que afetam a humanidade, levando a um grande número de doenças, complicações e mortes.
Dentre eles, podemos destacar, embora muitos não conheçam sua totalidade, aqueles cuja identificação começa com H e termina com V.
São eles:
- HAV – Vírus da Hepatite A;
- HBV – Vírus da Hepatite B;
- HCV – Vírus da Hepatite C;
- HDV – Vírus da Hepatite D;
- HEV – Vírus da Hepatite E;
- HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana;
- HPV – Vírus do Papiloma Humano;
- HTLV – Vírus do Linfócito Humano.
Muitos desses vírus apresentam como grande característica o fato de poderem permanecer assintomáticos por algum tempo, sem apresentar sintomas perceptíveis até que a doença se desenvolva.
Isso dificulta a interrupção do processo de contaminação, pois pessoas contaminadas podem continuar se relacionando com outras pessoas e transmitindo o vírus sem saber.
Hepatites virais e saúde pública
Com relação às hepatites virais, por exemplo, dados da Organização Mundial da Saúde, divulgados no Relatório Global sobre Hepatites de 2017, revelaram que cerca de 325 milhões de pessoas no mundo viviam com infecção crônica pelo vírus da hepatite B, VHB, ou pelo vírus da hepatite C, VHC.
O relatório indicou que a grande maioria dessas pessoas não tinha acesso a testes e tratamentos que poderiam salvar vidas.
Como resultado, milhões de pessoas estavam em risco de lenta progressão para doença hepática crônica, câncer e morte.
Segundo Margaret Chan, então diretora-geral da OMS:
“As hepatites virais são agora reconhecidas como um grande desafio de saúde pública que requer uma resposta urgente. Existem vacinas e medicamentos para combatê-la e a OMS está empenhada em ajudar a garantir que essas ferramentas cheguem a todos os que delas necessitam.”
Aumento da mortalidade e novas infecções
As hepatites virais causaram 1,34 milhão de mortes em 2015, número comparável às mortes causadas por tuberculose e HIV.
Entretanto, ao mesmo tempo em que a mortalidade por tuberculose e HIV vinha diminuindo, as mortes por hepatites estavam aumentando.
Aproximadamente 1,75 milhão de pessoas foram infectadas com o VHC em 2015, elevando o número total de pessoas vivendo com hepatite C no mundo para 71 milhões.
Embora as mortes globais por hepatite estivessem aumentando, novas infecções pelo VHB vinham diminuindo graças ao aumento da cobertura vacinal contra o vírus entre crianças.
Mundialmente, 84% das crianças nascidas em 2015 receberam as três doses recomendadas da vacina contra hepatite B.
Entre a era pré-vacina, que pode variar desde a década de 1980 até o início dos anos 2000, e o ano de 2015, a proporção de crianças menores de cinco anos com novas infecções caiu de 4,7% para 1,3%.
No entanto, estimava-se que 257 milhões de indivíduos, em sua maioria adultos nascidos antes da introdução dessa vacina, viviam com infecção crônica por hepatite B em 2015.
Epidemias por região
Os níveis de hepatite B variam amplamente entre as regiões da OMS, com maior carga na Região Africana e na Região do Pacífico Ocidental.
Segundo os dados apresentados no relatório:
- Região do Pacífico Ocidental: 6,2% da população, cerca de 115 milhões de pessoas;
- Região Africana: 6,1% da população, cerca de 60 milhões de pessoas;
- Região do Mediterrâneo Oriental: 3,3% da população, cerca de 21 milhões de pessoas;
- Região do Sudeste Asiático: 2% da população, cerca de 39 milhões de pessoas;
- Região Europeia: 1,6% da população, cerca de 15 milhões de pessoas;
- Região das Américas: 0,7% da população, cerca de 7 milhões de pessoas.
Atualmente, as injeções inseguras usadas em cuidados de saúde e o consumo de drogas injetáveis são consideradas rotas importantes de transmissão do VHC.
A prevalência da hepatite C nas regiões da OMS foi apresentada da seguinte forma:
- Região do Mediterrâneo Oriental: 2,3% da população, cerca de 15 milhões de pessoas;
- Região Europeia: 1,5% da população, cerca de 14 milhões de pessoas;
- Região Africana: 1% da população, cerca de 11 milhões de pessoas;
- Região das Américas: 1% da população, cerca de 7 milhões de pessoas;
- Região do Pacífico Ocidental: 1% da população, cerca de 14 milhões de pessoas;
- Região do Sudeste Asiático: 0,5% da população, cerca de 10 milhões de pessoas.
Acesso ao tratamento
À época do relatório, não existia vacina contra o VHC, e o acesso ao tratamento para VHB e VHC ainda era baixo.
A Estratégia Global do Setor da Saúde da OMS sobre as hepatites virais tinha como objetivo testar 90% e tratar 80% das pessoas com hepatites B e C até 2030.
O relatório observava que apenas 9% de todas as infecções pelo VHB e 20% de todas as infecções pelo VHC haviam sido diagnosticadas em 2015.
Uma fração ainda menor estava em tratamento: 8% dos diagnosticados com infecção pelo vírus da hepatite B, cerca de 1,7 milhão de pessoas, e apenas 7% dos diagnosticados com infecção pelo vírus da hepatite C, cerca de 1,1 milhão de pessoas, haviam iniciado tratamento durante aquele ano.
A infecção pelo VHB requer tratamento ao longo da vida em muitos casos, e a OMS recomendava o medicamento tenofovir, já amplamente utilizado no tratamento do HIV.
A hepatite C, por sua vez, pode ser curada em um período relativamente curto com antivirais de ação direta altamente eficazes.
Segundo Gottfried Hirnschall, então diretor do Departamento de HIV e do Programa Global de Hepatites da OMS:
“Estamos ainda numa fase inicial da resposta às hepatites virais, mas o caminho a seguir parece promissor. Mais países estão disponibilizando serviços de hepatite para pessoas necessitadas — um teste de diagnóstico custa menos de US$ 1 e a cura para a hepatite C pode ser inferior a US$ 200. No entanto, os dados destacam claramente a urgência com que devemos resolver as lacunas remanescentes em testes e tratamento.”
Progressos nos países
O Relatório Global de Hepatites da OMS de 2017 demonstrou que, apesar dos desafios, alguns países já estavam dando passos importantes para ampliar os serviços relacionados às hepatites.
A China atingiu cobertura elevada, de 96%, para a dose da vacina contra o VHB após o nascimento e alcançou o objetivo de controlar a hepatite B, com menos de 1% de prevalência em crianças com menos de cinco anos em 2015.
A Mongólia melhorou o tratamento da hepatite ao incluir VHB e VHC em seu esquema de Seguro Nacional de Saúde, que cobria 98% da população.
No Egito, a concorrência genérica reduziu o preço de uma cura de três meses para a hepatite C, de US$ 900 em 2015 para menos de US$ 200 em 2016.
No Paquistão, o valor era de aproximadamente US$ 100.
A melhoria do acesso à cura para a hepatite C recebeu impulso no final de março de 2017, quando a OMS pré-qualificou o ingrediente farmacêutico ativo genérico do sofosbuvir.
Esse passo permitiu que mais países pudessem produzir medicamentos para hepatites a preços mais acessíveis.
Linha de base para a eliminação
O Relatório Global de Hepatites da OMS de 2017 demonstrou que, apesar dos desafios, alguns países já estavam dando passos importantes para ampliar os serviços relacionados às hepatites.
A China atingiu cobertura elevada, de 96%, para a dose da vacina contra o VHB após o nascimento e alcançou o objetivo de controlar a hepatite B, com menos de 1% de prevalência em crianças com menos de cinco anos em 2015.
A Mongólia melhorou o tratamento da hepatite ao incluir VHB e VHC em seu esquema de Seguro Nacional de Saúde, que cobria 98% da população.
No Egito, a concorrência genérica reduziu o preço de uma cura de três meses para a hepatite C, de US$ 900 em 2015 para menos de US$ 200 em 2016.
No Paquistão, o valor era de aproximadamente US$ 100.
A melhoria do acesso à cura para a hepatite C recebeu impulso no final de março de 2017, quando a OMS pré-qualificou o ingrediente farmacêutico ativo genérico do sofosbuvir.
Esse passo permitiu que mais países pudessem produzir medicamentos para hepatites a preços mais acessíveis.
Observação importante
Este conteúdo tem caráter informativo e histórico, com base em dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde em 2017.
Para diagnóstico, prevenção, vacinação, exames ou tratamento, procure orientação médica ou uma unidade de saúde.
